Os novos tempos da Hipnose no Brasil

A hipnose tem sido utilizada por milênios como uma forma de atuar no comportamento humano. Os antigos egípcios (2.000 ac) já utilizavam empiricamente encantamentos, amuletos, imposição das mãos, sem se darem conta da imaginação e sugestão envolvidas nesses procedimentos. Anton Mesmer (1734–1815) desenvolveu a tese do “magnetismo animal” e de que o realinhamento das forças gravitacionais poderia restaurar a saúde, pelo chamado “Mesmerismo”. Mas foi James Braid (1784–1860) que criou o termo Hipnose, derivado do grego (hypnos = sono), causando aí também a confusão entre o “estado hipnótico” e “estado de sono”. Em 1999 a hipnose foi reconhecida como uma “valiosa prática médica, subsidiária de diagnóstico ou de tratamento, devendo ser exercida por profissionais devidamente qualificados e sob rigorosos critérios éticos”. Naquela época foi criado o termo genérico de “Hipniatria”. Adotado por este Conselho como “o procedimento ou ato médico que utiliza a hipnose como parte predominante do conjunto terapêutico”.

A utilização da Hipnose foi regulamentada no Brasil pelo decreto Nº 51.009 de 22/07/1961, assinado pelo então Presidente da República Sr. Jânio Quadros. Este decreto proibia “espetáculos ou números isolados de hipnotismo e letargia, de qualquer tipo ou forma, em clubes, auditórios, palcos ou estúdios de rádio ou de televisão, e dá outras providências. Art. 1º – Ficam proibidas, em todo o território nacional, as exibições comerciais… Art. 2º – Ficam excluídas da proibição de que trata o presente Decreto, as demonstrações de caráter puramente científico, sem fito de lucro, direto ou indireto, executadas por médicos com curso especializado na matéria”. Mas este decreto foi revogado pelo ex-presidente Fernando Collor através do decreto N º 11 de 19/01/1991.

Os profissionais médicos, odontólogos e psicólogos eram orientados pelos próprios Códigos de Ética sobre a utilização da Hipnose para fins científicos, de pesquisa, tratamento e cura, posteriormente seguidos pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (2010).

Trabalhei com a Hipnoterapia no consultório por quase 20 anos e depois suspendi a sua prática por dificuldades de encaixe dos horários estendidos na agenda e a dois anos voltei a me interessar pela Hipnose, fazendo um curso de Hipnose Clínica em 2017 com o atual Presidente da ABH, Roberto Mendonça Botelho. E aí um novo mundo se descortinou diante dos meus olhos: Dezenas de hipnotistas postando centenas de vídeos no YouTube, hipnólogos dando cursos online de hipnose de palco, mesmerismo e auto hipnose… E o que dizer das “Streets”, aonde os hipnotistas iam para as ruas e os parques hipnotizar os transeuntes, colando suas mãos, fazendo-os esquecer os seus nomes e falando em língua extraterrestre? Os meus velhos mestres já se foram e agora os novos professores estão conectados às mídias sociais, gerando milhares de acessos às suas informações e criando muitos grupos de WhatsApp, Telegram, Facebook!

Esta é a “Nova Era da Hipnose”: a era jovem, digital e global! Que venham as novidades, acrescidas nestes tempos por Milton Erickson e pelas linhas da PNL (Programação Neurolinguística), que vieram para ficar e para somar a tudo o que já se conhecia desde os tempos imemoriais do Egito!

Dr. Paulo Maciel

Psiquiatra