Movimento Novo Pensamento

Qual é a origem das teorias como O Segredo, a Lei da Atração, as Leis Espirituais do Sucesso, Um Curso em Milagres, Pensamento Positivo, Teologia da Prosperidade, Mecânica Quântica Mística, Barras de Access, etc.?

Todas têm em comum o chamado “Movimento Novo Pensamento”, que teve origem em Phineas Parkhurst Quimby (1802-1866), um professor espiritual americano, um adepto do mesmerismo, filósofo, hipnólogo e inventor que desenvolveu o ensino que “a doença se desenvolve na mente do homem por falsas crenças, e que a mente aberta para a sabedoria de Deus vence a doença”. O princípio se baseava no ensino de que o corpo era uma casa para a mente do homem. Se havia um “inimigo” instalado no corpo, se dava por uma crença errada da mente, mesmo com o desconhecimento do portador, a mente é quem adoecia o homem. Quimby prometia entrar na casa e com o poder da mente, expulsar o intruso, corrigindo a “impressão errada” pelo restabelecimento da “verdade” na mente.

Em 1838, Quimby começou a estudar o mesmerismo depois de assistir a uma palestra do doutor Collyer e logo começou a experimentar com a ajuda de Lucius Burkmar, que poderia entrar em transe e diagnosticar doenças. Quimby viu novamente o efeito mental e placebo da mente sobre o corpo quando os remédios prescritos por Burkmar, sem valor físico, curaram pacientes de doenças. A partir das conclusões desses estudos, Phineas Quimby desenvolveu teorias de cura auxiliada mentalmente e abriu um escritório em Portland, Maine em 1859. Entre os estudantes e pacientes que uniram seus estudos e o ajudaram a dedicar seus ensinamentos à escrita estavam Warren Felt Evans, Annetta. Seabury Dresser e Julious Dresser, fundadores do “Novo Pensamento” como um movimento nomeado, e Mary Baker Eddy , que foi curada por Quimby e mais tarde fundou a Ciência Cristã, negando o poder da mente e defendendo que a cura viria do poder de Deus.

Muito pouco se sabe sobre Hopkins antes de conhecer Mary Baker Eddy. Em outubro de 1883, Mary Baker Eddy conheceu e curou Emma Hopkins de uma enfermidade. Mary Baker Eddy (anteriormente conhecida como sobrenome Patterson) desenvolveu um movimento a partir das ideias derivadas dos ensinamentos de Quimby. Através do tratamento para sua saúde debilitada, Eddy chegou a ser aluna de Phineas Quimby e, a partir disso, surgiram suas ideias únicas sobre a cura metafísica. Em 1862, Eddy recebeu tratamento de Quimby e foi curada rapidamente. Embora sua saúde tendesse a flutuar, quando ela praticava as últimas técnicas, sua condição melhorou bastante. Embora as semelhanças entre seus trabalhos sejam bastante aparentes, Eddy teve que integrar pessoalmente sua própria fé cristã às ideias de Quimby, já que ele costumava criticar as práticas religiosas tradicionais.

Emma Hopkins queria saber mais dessa “ciência” que envolvia o modo com que foi curada em 1883 foi ter aulas com Eddy sobre como curar. Hopkins rapidamente tornou-se proeminente no movimento da Ciência Cristã, mas em 1887 Emma Hopkins foi expulsa das aulas de Eddy. Emma Hopkins não conseguia aceitar a natureza cristã dos ensinamentos de Eddy e passou a desenvolver sua própria técnica de cura e ensinar essa técnica para os outros. Depois de dispensada, Hopkins voltou para Chicago, onde trabalhou como praticante independente da Ciência Cristã. Mas foi só quando Baker Eddy exigiu a exclusividade do termo “Ciência Cristã” que tornou-se necessário o uso do “Novo Pensamento”.

Novo Pensamento foi propalado por inúmeros pensadores e filósofos e emergiu em meio a uma variedade de denominações religiosas seculares, particularmente a Igreja da Unidade, Ciência Religiosa e a Igreja da Ciência Divina. Muitas das igrejas e comunidades foram comandadas por mulheres desde 1800 até os dias atuais; Emma Curtis Hopkins ficou conhecida como a “mestra das mestras”; além dela, Myrtle Fillmore, Malinda Cramer, e Nona Brooks.

pesar de que o Novo Pensamento não é nem monolítico nem doutrinário, adeptos modernos desta corrente de pensamento acreditam geralmente que Deus é “supremo, universal e eterno”, que a divindade mora em cada um e que todas as pessoas são seres espirituais, que o princípio espiritual mais alto é “amar um ao outro incondicionalmente… e ensinar e curar um ao outro”, e que “nossos estados mentais são levados adiante em manifestação e se tornam a nossa experiência na vida cotidiana”.

O ensinamento central do Novo Pensamento foi que o pensamento evolui e desabrocha, e nosso pensamento cria e modifica nossa experiência nesse mundo. O movimento coloca bastante ênfase no pensamento positivo, na autoafirmação, na meditação e na oração. As igrejas do Novo Pensamento costumam evitar pronunciamentos dogmáticos sobre a vida após a morte e outras questões teológicas.
É neste contexto que surge a famosa figura de Joseph Murphy (1898-1981), um dos mais famosos escritores do movimento do Novo Pensamento, que tornou-se PhD em psicologia na University of Southern Califórnia e que foi ordenado Ministro da Igreja da Ciência Divina e durante vinte e oito anos foi diretor desta igreja, fundada por Malinda Elliott Cramer (1844-1906), curadora e importante figura do movimento do Movimento Novo Pensamento.

Em 1885, talvez sob o ímpeto da Ciência Cristã, Cramer teve o que descreveu como uma revelação divina depois de “uma hora de meditação e oração” e “aquele momento percebi que foi o começo da minha realização da Unidade da Vida, um brilho da Verdade atravessou como um raio a minha visão mental”. Em dois anos estava curada.

Joseph Murphy escreveu 36 livros de ciência aplicada, sendo o mais famoso deles ”O Poder do Subconsciente”, no qual afirma que “a mente subconsciente, ao aceitar uma ideia, começa imediatamente a pô-la em prática”. Portanto, a única coisa necessária é conseguir que a mente subconsciente aceite a ideia – e a própria lei que rege o subconsciente trará saúde, tranquilidade ou a posição que deseja. Contudo, a mente subconsciente aceita tudo que lhe é impresso, mesmo que seja falso e tratará de provocar os resultados que devem necessariamente seguir-se, porque conscientemente a pessoa aceitou o facto como verdadeiro. Por isso, ele sugere que as pessoas utilizem as autossugestões instantes antes de dormir, quando a mente consciente está passiva e não resistirá à ideia que se queira imprimir à mente subconsciente.

Diversos movimentos atualmente bem conhecidos partiram destas ideias anteriores: O Segredo, a Lei da Atração, as Leis Espirituais do Sucesso, Um Curso em Milagres, Pensamento Positivo, Teologia da Prosperidade, Mecânica Quântica Mística, etc., são todos subprodutos desta linhagem de paradigmas!

Mas a maior falha de todas estas crenças (e esta é a minha posição pessoal) reside no fato de colocarem todo o segredo, a chave e o poder da mente, no chamado “Subconsciente”! Estas teorias dizem que “o pensamento cria a realidade” e que “o observador colapsa a onda, criando a realidade”. Entretanto, as mentes consciente e subconsciente não passam de 10% da totalidade da psique humana, como na imagem do iceberg e são estudadas por outras escolas de pensamento.

Olhando de forma mais aprofundada, o termo “Subconsciente” foi criado por Pierre Janet (1859 – 1947), considerado um dos fundadores da Psicologia, que naquela época ainda era um ramo da Filosofia! Em 1889, apresentou sua tese sobre o automatismo psicológico, que já continha alguns dos conceitos que mais tarde seriam utilizados por Sigmund Freud, como a ideia do subconsciente, o que gerou discussões posteriores sobre a paternidade do termo, que foi utilizado por Freud em seus primeiros trabalhos, mas foi logo abandonado por causa da sua ambiguidade e substituído por “inconsciente”. Ainda em 1889, Janet foi convidado a trabalhar com o famoso neurologista Jean-Martin Charcot, diretor do maior manicômio de Paris, o Salpêtrière, que utilizava a hipnose no estudo da histeria e que também foi mestre de Freud

Voltando ao termo ”Subconsciente” (literalmente, “abaixo da consciência”), ele é utilizado na psicologia muitas vezes para descrever “qualquer tipo de conteúdo da mente existente ou operante fora da consciência”, sem considerar a existência do Inconsciente.

No livro ”O Poder do Subconsciente” de Joseph Murphy, o termo é utilizado ora como sinônimo de “inconsciente” ou de “pré-consciente” (termos da teoria psicanalítica), ora para indicar de maneira geral “todo o conteúdo da mente que não é acessível à consciência”. Neste sentido mais amplo, o subconsciente é, assim, a parte da mente não diretamente acessível ao indivíduo, mas alcançável através de técnicas diversas como a hipnose, a psicoterapia, as mensagens subliminares, etc.

Algumas pessoas confundem o inconsciente com o subconsciente, mas eles são níveis diferentes da mente, sendo o inconsciente um nível muito mais profundo, portanto mais difícil de ser acessado. Eu costumo comparar, para efeitos didáticos, as três instâncias da mente humana como uma praia e o mar: o Consciente é tudo aquilo que percebemos e interagimos diretamente com o nosso ego e os 5 sentidos na praia: imagens, sons, cheiros, sabores… O Subconsciente é aquela parte do mar cujas ondas tocam a areia da praia, num fluxo contínuo que interage constantemente com o Consciente e o Inconsciente, em níveis e intensidades variáveis. Já o Inconsciente é o mar cada vez mais profundo, denso, escuro e assustador: O inconsciente é o mais inóspito dos ambientes da mente humana, onde raramente podemos entrar como espectadores conscientes, acessando conteúdos específicos e os trazendo à tona do Ego, como submarinos bem protegidos e seguros.

Na figura do Iceberg, o Consciente são os 10% visíveis acima da linha das águas; o Subconsciente, aquelas partes do iceberg que ora são visíveis ora não, pelo movimento das ondas e marolas; e o Inconsciente são os 90% restantes, que estão submersos no oceano mais profundo!

Voltando ao conceito popular do Subconsciente de autoria do Dr. Joseph Murphy, ele afirma que “existe um poder dentro de cada um de nós e este poder é acionado pelo pensamento”. As técnicas revolucionárias descritas pelo Dr. Murphy, baseiam-se em um princípio simples e prático: “se você acredita em algo sem restrições e faz um retrato disso em sua mente, remove os obstáculos subconscientes para que seu desejo se concretize! ” Assim, qualquer um poderia transformar em realidade aquilo em que acreditar.

Murphy defende a tese de que a mente subconsciente, ao aceitar uma ideia, começa imediatamente a pô-la em prática por meios sobrenaturais (lembrar que ele era religioso). Desta forma, para se alcançar o sucesso e o êxito é necessário unicamente se conseguir que a mente subconsciente aceite a ideia de sucesso, êxito, saúde, tranquilidade ou a posição social que se deseja. Contudo, segundo Murphy, a mente subconsciente aceita tudo que lhe é sugestionado de forma vigorosa e constante, mesmo que seja falso, provocando resultados desfavoráveis. Desta forma, ele sugere que as pessoas utilizem a autossugestão, principalmente durante os instantes antes de dormir, por meio de preces dirigidas à “Mente Universal de Deus”, quando a mente consciente está mais passiva (“Estado Hipnagógico”), tornando o subconsciente mais receptivo. Deste modo, a mente consciente não resistiria às ideias que queira se imprimir na mente subconsciente.

Entretanto, apesar dos resultados obtidos pela técnica de Murphy, que depois foi adaptada e incluída nas teorias mais recentes como as descritas acima (O Segredo, a Lei da Atração, as Leis Espirituais do Sucesso, Um Curso em Milagres, Pensamento Positivo, Teologia da Prosperidade, Mecânica Quântica Mística, Barras de Access, etc.), o verdadeiro poder da mente humana não está no Subconsciente mas no Inconsciente, onde encontra-se a quase totalidade da mente, que se divide em diversas instâncias, a saber: Inconsciente biográfico (Sigmund Freud), 2. Inconsciente Genético Familiar (Lipot Szondi); 3. Inconsciente Energético Familiar (Bert Hellinger); 4. Inconsciente de Vidas Passadas (Morris Netherton); 5. Inconsciente Coletivo (Karl Jung); 6. Inconsciente Espiritual (Religiões em geral).

Enfim, a realidade que cada pessoa vivencia não é fruto da mente consciente nem da subconsciente, nem do colapso da onda, mas sim da soma dos seus “conteúdos inconscientes profundos, vivos, ativos e poderosos”, que se projetam no mundo à sua volta, criando o filme que o ego assiste e participa, mais ou menos consciente, de acordo com o grau de evolução de cada um e do seu nível de autoconhecimento e domínio pessoal…

O ego é, assim, como um espectador/observador de cinema que age e reage aos estímulos dos seus sentidos, sendo a tela à sua frente a onda colapsada e o filme que se projeta na tela, o fruto da soma do autor da história (Self), do editor do texto (Superego) e do diretor (Raja Guna) que dirige os personagens (Alter Egos) a seu bel prazer!

Dr. Paulo Maciel

10/07/2019​